14 fevereiro 2011

Contos

Vou-te contar um segredo: quero-te ensinar a amar; não como a facilidade e futilidade com que a palavra 'amo-te' é dita hoje em dia, não porque é assim que deve ser, não por vontade dos outros. Eu quero-te mostrar o amor verdadeiro porque o meu coração quer falar.
Já me contaram vulgarmente denominadas 'histórias da carochinha', onde a perfeição tem lugar e a magia existe. A verdade é que no fim, crescemos e deixamos de acreditar em sonhos, julgamo-nos demasiado crescidos e troçamos das crianças, pensamos que 'um dia vão perceber que a realidade não é assim'. A verdade é que agimos assim numa tentativa inalcançável de nos protegermos, de não voltarmos a ferir-nos. Isto porque o ser humano é frágil, porque erra, porque magoa. O medo existe. Não nos conformamos com a nossa realidade.
Eu já fui assim, sabes? Revoltada, angustiada, com medo do mundo; fechava os olhos e viajava até ao país das maravilhas, onde pensava ser feliz. Um dia, cansada de sombras, abri os olhos e lá estavas tu. Abraçaste-me, deste-me a mão, e hoje caminhamos no nosso trilho juntos. Hoje sei o que é amar. Aprendi que na minha vida não existe um 'eu', mas sim um 'nós'; aprendi que nada é meu, e tudo é nosso; aprendi a viver sem me importar com o mundo lá fora; aprendi a sorrir com o coração; aprendi a ser feliz com a alma; aprendi a amar (e não me canso de um dizer, porque quando tu um dia sentires o mesmo, compreenderás a verdadeira essência de isto que aqui escrevo); aprendi que tenho tudo. E a cada dia construímos o nosso castelo, o nosso refúgio.
E tu, sabes o que é amar? Sabes o que é dar a vida por alguém? Sabes o que é viveres só para alguém? Sabes o que é estares a cada segundo preocupada com alguém? Sabes o que é depender desse alguém para sobreviver? Eu já errei, eu já tive medo de arriscar. E tu quebraste o gelo.
Já me habituei demais ao teu cheiro, à maneira como a tua mão percorre o meu corpo e a minha o teu, à maneira como os nossos lábios se deixam levar, à maneira como os nossos corpos se completam, à tua voz, à tua respiração, a todos os teus gestos.
Hoje compreendo que a verdadeira realidade é a descrita nos contos de fadas, porque só quando o puzzle está completo se pode viver na plenitude. Porque o verdadeiro sentido de amar está na imperfeição, e, quando juntos, resulta a perfeição, que afinal não é um sonho, mas sim a realidade. Porque errar ensina, e a grandeza do amar está em nunca soltar os dedos, independentemente do obstáculo. Porque amar é mais do que o meu sorriso ser o teu; amar é as minhas lágrimas serem tuas, amar é não quebrar por mais que a tempestade seja violenta; amar é a vivência de cada dia, e tu estás comigo. Mesmo nas histórias mais belas, o mal não existe, sabes porquê? Porque se não houvesse mal, não existia o bem. A chave está em ultrapassá-lo, e a única arma capaz de o destruir é o amor verdadeiro; o que acontece é que muitas das vezes não passa de uma fachada, e por isso as histórias da vida real não têm um final feliz. Quanto a nós, também nunca poderemos ter um final feliz, não por estes motivos, mas pelo simples facto do que nos une ser eterno. Amo-te, da mesma maneira que pensei que a princesa amava o príncipe nos contos de fadas, quando era criança; amo-te da maneira mais inocente; amo-te da maneira mais verdadeira; amo-te por ser livre ao estar presa a ti; amo-te e só tu compreendes esta mensagem. Amo-te.

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